Toda vez que um orientista comete algum erro em sua navegação, com certeza o mau emprego de uma das cinco técnicas básicas foi a causa. Estas devem ser aplicadas a todas as rotas indistintamente, mas existem outras que podem ser usadas para atingir um nível mais competitivo.

Durante a execução de uma pernada, deslocamento entre um ponto de controle e outro, é interessante estar precisamente orientado ao longo de todo trajeto. Para isso, faz-se uso do polegar indicando no mapa o local exato onde o orientista se encontra no terreno, progredindo ambos de forma coordenada. Os pontos de checagem podem e devem complementar esta técnica.

Dificilmente consegue-se precisão absoluta em um azimute, sobretudo em longas distâncias ou pela dificuldade imposta por uma vegetação mais densa ou mesmo por acidentes do terreno. Nesses casos, chegando próximo ao controle: ele está à direita ou à esquerda? Para evitar esta incógnita, ou mesmo por segurança, costuma-se usar um erro proposital e então tem-se a certeza de que o ponto a localizar encontra-se em determinado lado.

Normalmente emprega-se o erro proposital para o lado oposto ao da saída para o próximo ponto, a fim de evitar ter que realizar meia volta e possível incorreção na direção a seguir após o controle.

Bom seria se ao tentar localizar um controle tivéssemos um "balizamento", bastaria apenas correr até o ponto desejado. Em algumas circunstâncias isso é possível, o mapa e o terreno possuem linhas de referência, basta identificá-las. Elas podem ser transversais ou longitudinais e indicam o limite da distância ou a direção a seguir.

Terrenos bastante acidentados, seja pelo relevo ou outros aspectos, resultam em mapas ricos em detalhes. Vistos dessa maneira, podem dificultar escolhas de rotas e a navegação dos orientistas. No entanto, pode-se usar a técnica de simplificação do mapa, na qual usa-se somente os aspectos mais relevantes ou nítidos, desprezando os demais. Desse modo, a orientação torna-se menos complexa e pode inclusive revelar linhas de referência.

mapa complexo

Apresenta-se na próxima figura o mesmo mapa da anterior, porém observando apenas aquilo que "interessa", tornando a navegação "simples".

mapa simplificado

 

Após o orientista adquirir uma certa dose de experiência no esporte será capaz de analisar o mapa e identificar se o ponto de controle a ser localizado é mais ou menos difícil, atribuindo-lhe um grau de dificuldade antes de iniciar a pernada. Sendo fácil ou permitindo esta possibilidade, o atleta poderá optar por uma orientação grosseira, dando mais ênfase à corrida, ou seja, aumentando a velocidade para alcançar um tempo menor de percurso. Diferente disso, há oportunidades em que a situação exige orientação precisa em detrimento da rapidez, quando a navegação recebe atenção maior.

Lembrando que os objetivos da orientação são encontrar os pontos de controle e executar isso no menor tempo possível, as técnicas de orientação precisa X orientação grosseira dão mais ênfase a um ou outro aspecto.

Muitas vezes emprega-se a orientação grosseira no início de uma pernada, partindo em uma direção geral que vai sendo corrigida ao longo da rota, e ao aproximar-se do ponto de controle usa-se a orientação precisa, para localizá-lo imediatamente.

Outra técnica bastante útil, porém de longo e difícil treinamento, é a memória fotográfica, ela pode ser usada para memorizar o mapa em uma única observação ou para mentalizar a rota que o orientista está realizando, ou ambas simultâneamente. A primeira serve para que o atleta com o "mapa na cabeça" preste atenção somente no terreno, para que nenhum detalhe dele lhe escape, inclusive o controle. A segunda é utilizada em caso de erro, permitindo refazer a rota mentalmente em busca da correção, sem a necessidade de retornar fisicamente até um ponto conhecido, reduzindo a perda de tempo nesses casos.

É importante salientar, sobretudo aos iniciantes neste esporte, que as várias técnicas apresentadas neste texto foram abordadas de maneira suscinta e isolada. Porém, o emprego delas na navegação é sempre simultâneo especialmente as cinco básicas, que podem e devem ser complementadas com as outras que se julgue mais adequadas a cada situação imposta ao orientista.

A abordagem de um ponto de controle requer maior atenção, desse modo, evita-se passar por ele sem avistá-lo, sobretudo naqueles que estão colocados em pequenos acidentes do terreno ou exigem maior habilidade técnica.

Para isso, busca-se um acidente próximo ao ponto de controle, que seja nítido no terreno e no mapa, denominado ponto de ataque, a partir do qual inicia-se uma navegação precisa na direção do objetivo desejado.

É aconselhável, nessa fase final da rota, diminuir a velocidade de corrida. A dificuldade do ponto de controle indicará o grau de atenção a ser dispensado nesse momento.

Mesmo que em algumas oportunidades o ponto de ataque esteja um pouco afastado da direção do controle, é importante passar naquele ponto por segurança.

A primeira e mais importante técnica, conhecida como azimute, é determinação da direção a seguir.

O ângulo formado pelo norte magnético, indicado pela agulha imantada de bússolas, e uma direção é chamado de azimute. Mas na orientação não é necessário medir os graus para o destino desejado.

Com o mapa na horizontal e a bússola sobre ele, gira-se o mapa até que as linhas do norte magnético do mapa (na cor azul) e a agulha imantada estejam paralelas. Após isso, a reta formada pelo ponto de origem e o de destino indica a direção a seguir.

Deve-se tomar cuidado para que as linhas do norte do mapa e a agulha imantada estejam paralelas e no mesmo sentido, evitando o contra-azimute.

É comum, iniciantes no esporte, tentar "orientar o mapa" girando a bússola e sua agulha teimosamente continuar indicando o norte magnético.

Para apanhar algo que encontra-se sobre uma mesa, distante da mão, caminha-se ao seu redor e não gira-se o móvel. Da mesma forma deve-se agir com o mapa, ele deve estar constantemente orientado, independente das curvas e dos giros executados pelo orientista em deslocamento.

Cabe salientar que ao desviar um obstáculo durante a progressão de um ponto a outro, tem-se uma nova direção para o objetivo que se quer alcançar.